JSD Covilhã condena declarações da Vereadora da CMC, que acusou os jovens de serem ‘autistas’
1. No passado dia 26 de Outubro, em sede de plenário do Conselho Municipal de Juventude da Covilhã e de forma construtiva e abnegada, a JSD voltou a demonstrar o seu inconformismo para com o possível pagamento dos elevadores e funiculares na cidade, apresentando, para isso, dados concretos e propostas que considera relevantes para os cidadãos e os jovens em particular.
2. Nesta sessão onde foi eleita a nova Presidente da Comissão Permanente, a JSD alertou para a necessidade de o Regulamento do Associativismo distinguir associações inscritas no Registo Nacional de Associações Juvenis de outras entidades não inscritas, por forma a evitar uma descriminação à partida e não premiar o mérito. A JSD questionou também o ponto de situação das obras de requalificação da Escola Secundária Frei Heitor Pinto e apresentou sugestões relativamente a atividades promotoras de soft skills, que discutam as várias trajetórias de empregabilidade juvenil, o empreendedorismo e as novas tecnologias.
3. Infelizmente, e como é já habitual, as questões não foram diretamente respondidas e as sugestões foram, de forma constante, descartadas ou remetidas para segundo plano. Mas, como se a falta de respostas não fosse, por si só, um atentado à própria democracia, a Vereadora Regina Gouveia conseguiu ainda mostrar o que de mais baixo existe na ação política.
4. Com efeito, numa procura de humilhar, desrespeitar e exercer coação psicológica perante as novas gerações, Regina Gouveia apelidou os jovens de “autistas”. Para a Vereadora, entre os legítimos eleitos representantes do movimento associativo, estudantil, cultural e partidário juvenil do concelho cujos impostos das famílias lhe pagam o salário, existem indivíduos com perturbações sociais e comportamentais.
5. Questionada se esse termo não seria uma exacerbação na troca de ideias, um termo que não deveria ser banalizado, radicalizado e acima de tudo utilizado com a leviandade que foi, como se o direito ao desenvolvimento da personalidade não existisse, bem como se outras formas não existiriam para aquela que deveria ser uma figura imparcial no debate e prestadora de contas e esclarecimentos do município se dirigir ao órgão máximo, a Vereadora não só reiterou o termo, como ainda teve o descaramento de o dirigir diretamente a um representante de uma organização-membro representante de centenas de jovens.
6. Esquecendo-se que estava no CMJ porque existem organizações-membro que fizeram com que o órgão visse a luz do dia, que é graças à dedicação das associações juvenis que este tem composição para trabalhar (quando deixam) e que não se trata de uma plataforma onde a Vereadora decida sobre a pertinência e temas a serem discutidos, mas sim respeitando os temas trazidos por quem os jovens do município escolheram para os representar, Regina Gouveia revelou, não só um desconhecimento face ao Regime Jurídico dos Conselhos Municipais de Juventude; não só uma postura ditatorial e ausente de sentido institucional, mas, sobretudo, uma falta de caráter e de elevação no trato interpessoal, inadmissível para quem deveria procurar representar todos os cidadãos.
7. Por conseguinte, face a esta baixeza, atentado ao bom nome dos jovens, ao Estado de Direito Democrático e a todos os que sofrem desta doença invocada, as novas gerações não se podem calar. Vivemos numa sociedade que se quer evoluída no que diz respeito à valorização ao próximo, à consideração e à oportunidade de espaço para apresentação e construção de ideias. Nem os jovens, nem os covilhanenses, nem os autistas merecem ser alvos de tamanha desfaçatez.
8. Um dos alicerces da democracia preza-se pela liberdade e igualdade de direitos. O CMJ é um órgão (político, mas não-partidário) consultivo do município em matérias de política de juventude, goste-se ou não. É uma plataforma que existe graças aos dirigentes associativos, juvenis, culturais, estudantis e partidários do concelho, não para servir os interesses da vereação ou de observadores longe de juvenis. Não um mecanismo para os menos jovens tentarem, seja sob que pretexto ou estatuto, condicionar a liberdade de pensamento, expressão e ação das novas gerações.
9. A JSD Covilhã exige, portanto, que a Vereadora se retrate face às suas declarações públicas. Não é o seu orgulho que está em causa, mas sim a demonstração de um sentido institucional face às funções (transitórias) que ocupa ao admitir quando erra. Deve fazê-lo publicamente e perante todos os membros do órgão que saíram desta reunião escandalizados, sob pena de ser a própria imagem da Câmara Municipal a ficar posta em causa, lembrando-se sempre, mas sempre, que antes de alguém saber quem era Regina Gouveia, já estas organizações-membro trabalhavam dentro e fora do CMJ pelos jovens do município.
10. Da parte da JSD, não esperem algo que não seja a continuação das nossas linhas orientadoras, combativas e construtivas. Não iremos calar a nossa revolta perante estes factos. Não iremos desistir de lutar e trabalhar por uma sociedade mais desenvolvida e mais respeitadora. Afinal de contas, podemos não merecer o elogio de Regina Gouveia, mas foi assim que merecemos o de Vítor Pereira (como prova o Notícias da Covilhã de 04/03/2015).
27 de outubro de 2018,
A Comissão Política Concelhia da JSD Covilhã.